• No mundo da alimentação saudável, o glúten e a lactose são os vilões da vez. A maioria das pessoas que opta por uma rotina sem os dois ingredientes garante que conseguiu reduzir medidas, sentiu-se menos inchada e com intestino funcionando melhor. Então, é verdade que funciona?

O glúten é uma proteína presente no trigo, centeio, cevada, malte. Nas receitas, ele é o responsável por dar elasticidade às massas. Em geral, está presente em todos os alimentos que levam farinha de trigo em sua composição: macarrão, bolos, pães, massas. Mas também aparece na cerveja, no chocolate, em iogurtes e sobremesas.

Ao entrar em contato com o intestino, a proteína causa uma espécie de inflamação em algumas pessoas, gerando atrofia das vilosidades do intestino delgado. O problema gera uma série de outros, como diarreia, anemia, perda de peso, osteoporose, inchaço, fadiga, aftas e até erupções na pele que coçam bastante (dermatite herpetiforme). Esse quadro indica que a pessoa é celíaca, ou seja, tem uma doença autoimune que faz o corpo reagir quando entra em contato com o glúten.

Já a lactose é o açúcar que está presente no leite. No de vaca, há, aproximadamente, 5% de lactose. Já no leite humano, existe, aproximadamente, 7%. Além de outros “ingredientes”, entre eles algumas proteínas, como a caseína e betalactoglobulina.

Com o passar do tempo, ocorre uma redução geneticamente programada e irreversível da atividade da lactase, enzima digestiva capaz de “quebrar” o açúcar do leite para ser absorvido com mais facilidade. É essa diminuição que pode levar, ou não, à intolerância completa. “Isso faz com que o açúcar não seja absorvido pelo intestino delgado e chegue ao cólon. Lá, vai fermentar e causar gases, que distendem o abdome, causam dores e desconforto abdominal”, explica a gastroenterologista e professora da Unifesp, Vera Lucia Sdepanian. Segundo a Federação Brasileira de Gastroenterologia, estima-se que 50% dos brasileiros possam vir a desenvolver algum tipo de intolerância à lactose.

Devo ou não cortar os ingredientes da alimentação?

A resposta de grande parte dos especialistas é: só se deve cortar de vez o glúten da alimentação se for comprovado que o paciente tem doença celíaca. Para o diagnóstico, é preciso procurar um médico, que indicará exames de sangue e uma endoscopia com biópsia. “O que acontece é que muitas pessoas cortam o glúten sem saber se têm a doença. Como deixam de consumir a proteína, o diagnóstico pode dar falso negativo. Por isso, o mais indicado antes de começar a dieta é procurar o médico e fazer os exames”, diz Vera.

Na prática, significa que você não precisa cortar tudo, mas pode começar a ficar mais atento e trocar o pão francês pela tapioca, o macarrão de trigo pelo macarrão de arroz, acrescentar mais fibras e tubérculos na alimentação. Reduzir o consumo de glúten por si só não emagrece, tira o inchaço ou melhora o intestino. Isso acontece apenas quando, junto com a redução, vier a inclusão de outros alimentos ricos em nutrientes.

A indicação para a lactose não é muito diferente. Se a pessoa não tiver uma sensibilidade muito grande ou quadro alérgico, não é preciso excluir o leite e seus derivados por completo da alimentação. Afinal, o alimento é rico em cálcio e outra série de nutrientes indispensáveis para o bom funcionamento do organismo.

O ideal, nesses casos, é que a quantidade de lactase produzida seja compatível à lactose consumida. O indicado é até 12 gramas de lactose por dia, o que equivale a um copo de leite. “Costumo dizer que por conta da correria diária, consumimos muitos alimentos chamados irritadores da mucosa intestinal e o leite é um deles. Outro agravante é que a quantidade de conservantes que encontramos nos lácteos atualmente é grande”, alerta a nutricionista Juliana.

A saída é apostar em produtos derivados mais naturais, como ricota, iogurtes e queijos. Para se ter uma ideia, enquanto o copo de leite tem 12g de lactose, um copo de queijo cottage tem 1,4 grama.

Dicas para ter bons resultados em uma dieta sem glúten e sem leite

  • Pense em reduzir estes ingredientes se você apresentar sintomas recorrentes como: inchaço, dores de cabeça, aftas, desconforto abdominal, gases, irritabilidade, anemia que não cura, deficiência de vitaminas, dores de estômago.
  • Antes de eliminar os alimentos, consulte um médico para excluir a possibilidade de doença celíaca e faça testes para comprovar a intolerância à lactose.
  • Se os exames derem negativo, procure a orientação de um nutrólogo ou nutricionista para que ele faça um cardápio especial sugerindo a redução dessas proteínas e observe se há uma melhora no quadro.
  • Melhore a rotatividade dos alimentos e acrescente fibras e nutrientes na alimentação. Não pense que substituir a farinha de trigo por farinha de arroz e polvilho causará o milagre do emagrecimento.

*Artigo escrito pelo site Noticias Uol.

Bjs!

Rafinha

 

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